Quando?

Quarta publicação da série, Aprendendo com J. C. Ryle.

Leitor, ouso dizer que um dia você pretende ser um homem decididamente religioso. Espera um dia ser um cristão verdadeiramente sério. Mas quando será isto? Eu repito: quando?

Está esperando até ficar doente? Certamente você não me dirá que esta é uma época oportuna. Quando seu corpo estiver atormentado em dores, quando sua mente estiver distraída por todo tipo de pensamento e ansiedade, quando a reflexão calma for impossível, será esta a ocasião oportuna para começar a grande tarefa de conhecer a Deus? Não fale desta maneira.

Está esperando até que tenha tempo disponível? E quando você espera ter mais tempo do que tem agora? Cada ano que você vive parece mais curto do que o anterior; percebe que há mais coisas que ocupam seu pensamento ou mais coisas a serem feitas e menos poder e oportunidade para realizá-las. E, afinal de contas, você não sabe se viverá mais um ano. Não se vanglorie do amanhã — o tempo é agora!

Está esperando até envelhecer? Certamente não ponderou o que está dizendo. Servirá a Cristo quando os membros do seu corpo estiverem fracos e debilitados e suas mãos, incapazes para a obra? Virá a Cristo quando sua mente estiver fraca e sua memória, falhando? Desistirá do mundo quando não puder mais apegar-se a ele? Cuidado, você pode estar insultando a Deus.

Está esperando até que seu coração esteja perfeitamente apto e pronto? Ele jamais estará. Sempre será corrupto e pecaminoso — uma fonte efervescente, cheia de maldade. Você nunca o tornará completamente limpo, de modo que possa levá-lo a Jesus Cristo e dizer: “Aqui estou, Senhor, pronto para que a tua lei seja gravada em meu coração”. Não demore, comece como você é.

Ó meu querido procrastinador, não são esfarrapadas as suas desculpas? Seja honesto, confesse a verdade, você não tem um bom motivo para esperar.

Aceite o meu conselho. Resolva hoje mesmo não esperar mais. Comece agora a buscar a Deus. Arrependa-se dos seus pecados. Creia em Cristo e seja salvo. “Eis, agora, o tempo sobremodo oportuno; eis, agora, o dia da salvação” (2 Coríntios 6.2).

Diversidade de Dons

Quarta publicação da série, Aprendendo com J. C. Ryle.

Devemos observar nesses versículos o diferente caráter dos discípulos de Cristo. Nesta ocasião profundamente interessante, vemos Pedro e João lado a lado no mesmo barco. E, uma vez mais, assim como no sepulcro, nós os observamos comportando-se de maneira diferente. Estando Jesus na praia, durante o ofuscado amanhecer do dia, João foi o primeiro a reconhecê-Lo, dizendo: “É o Senhor!”; mas Pedro foi o primeiro a lançar-se ao mar, esforçando-se para chegar perto do Senhor. Em resumo, João foi o primeiro a ver; Pedro, o primeiro a agir. O espírito gentil e amável de João foi mais rápido para discernir; porém, a natureza impulsiva de Pedro foi mais rápida para levá-lo à ação. Os dois eram verdadeiros discípulos, amavam o Senhor em suas vidas e mostraram-se fiéis a Ele até à morte; mas o temperamento natural deles não era o mesmo.

Jamais esqueçamos esta lição prática. Enquanto vivermos, devemos utilizá-la com diligência ao formular opiniões a respeito de outros crentes. Não devemos condenar os outros como pessoas incrédulas e destituídas da graça divina, somente porque não têm as mesmas opiniões que nós temos no que se refere aos deveres cristãos e não expressam sentimentos iguais aos nossos. “Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo” (1 Co 12.4). Os dons dos filhos de Deus não são outorgados exatamente na mesma proporção e medida. Alguns possuem maior medida de um dom; outros têm mais de outro dom. Alguns dons brilham com mais intensidade, quando utilizados em público; outros, em particular. Alguns crentes brilham mais em sua vida de passividade; outros, em uma vida de atividade; mas todos os membros da família de Deus, de acordo com seu dom e no devido tempo, glorificam a Deus. Marta era uma mulher agitada que se preocupava com muitos afazeres, enquanto sua irmã, Maria, assentava-se aos pés do Senhor, para ouvir sua Palavra (Lc 10.39-40). Todavia, chegou o dia em que Maria ficou abatida e prostrada por causa de muita tristeza, enquanto a fé exercida por Marta resplandeceu mais do que a de sua irmã (Jo 11.20-28). Ambas eram amadas por nosso Senhor. A única coisa realmente necessária é ter a graça do Espírito e amar a Cristo. Amemos a todos aqueles que possuem esta graça e amam o Senhor, embora não vejam as coisas com os nossos olhos. A igreja de Cristo precisa de todos os tipos de servos e instrumentos — facas e espadas, machados e martelos, formões e serrotes, Marta e Maria, Pedro e João. A nossa regra áurea deve ser: “A graça seja com todos os que amam sinceramente a nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 6.24).

Suponha que um ímpio vá para o céu

Terceira publicação da série, Aprendendo com J. C. Ryle.

Por um momento, suponha que você, destituído de santidade, tivesse a permissão de entrar no céu. O que você faria ali? Que possíveis alegrias sentiria no céu? A qual de todos os santos você se achegaria e ao lado de quem se assentaria? O prazer deles não é o seu prazer; os gostos deles não são os seus; o caráter deles não é o seu caráter. Como você poderia sentir-se feliz ali, se não havia sido santo na terra?

Talvez agora você aprecie muito a companhia dos levianos e descuidados, dos homens de mentalidade mundana, dos avarentos, dos devassos, dos que buscam prazeres, dos ímpios e dos profanos. Nenhum deles estará no céu.

Provavelmente, você ache que os santos de Deus são muito restritos, sérios e individualistas; e prefere evitá-los. Você não encontra nenhum prazer na companhia deles. Mas não haverá no céu qualquer outra companhia.

Talvez você ache que orar, ler a Bíblia e cantar hinos são realizações monótonas e estúpidas, coisas que devem ser toleradas aqui e agora, mas não desfrutadas. Você reputa o dia de descanso como um fardo, uma fadiga; provavelmente, você não gasta mais do que um pequeníssima parte deste dia na adoração a Deus. Lembre-se, porém, de que o céu é um dia de descanso interminável. Os habitantes do céu não descansam, noite e dia, clamando: “Santo, santo, santo é o Senhor, Deus todo- poderoso” e cantam todo o tempo louvores ao Cordeiro. Como poderia um ímpio encontrar prazer em uma ocupação como esta?

Você acha que um ímpio sentiria deleite em encontrar-se com Davi, Paulo e João, depois de ter gasto a sua vida na prática daquelas coisas que eles condenaram? O ímpio pediria bons conselhos a estes homens e acharia que tem muitas coisas em comum com eles? Acima de tudo, você acha que um ímpio se regozijaria em ver Jesus, o Crucificado, face a face, depois de viver preso nos pecados pelos quais Ele morreu, depois de amar os inimigos de Jesus e desprezar os seus amigos? Um ímpio permaneceria confiantemente diante de Jesus e se uniria ao clamor: “Este é o nosso Deus, em quem esperávamos… na sua salvação exultaremos e nos alegraremos” (Is 25.9)? Ao invés disso, você não acha que a língua de um ímpio se prenderia ao céu de sua boca, sentindo vergonha, e que seu único desejo seria o ser expulso dali? Ele haveria de sentir-se estranho em um lugar que ele não conhecia, seria uma ovelha negra entre o rebanho santo de Jesus. A voz dos querubins e dos serafins, o canto dos anjos e dos arcanjos e a voz de todos os habitantes do céu seria uma linguagem que o ímpio não entenderia. O próprio ar do céu seria um ar que o ímpio não poderia respirar.

Eu não sei o que os outros pensam, mas parece claro, para mim, que o céu seria um lugar miserável para um homem destituído de santidade. Não pode ser de outra maneira. As pessoas podem dizer, de maneira incerta, que “esperam ir para o céu”, mas elas não meditam no que realmente estão dizendo. Temos de ser pessoas que possuem uma mentalidade celestial e têm gostos celestiais, na vida presente; pois, do contrário, jamais nos encontraremos no céu, na vida por vir.

Agora, antes de prosseguir, permita-me falar-lhe algumas palavras de aplicação. Pergunto a cada pessoa que está lendo este artigo: você já é uma pessoa santa? Eu lhe suplico que preste atenção a esta pergunta. Você sabe alguma coisa a respeito da santidade sobre a qual lhe estou falando? Não estou perguntando se você costuma ir regularmente a uma igreja, ou se você já foi batizado, ou se você recebe a Ceia do Senhor, ou se tem o nome de cristão. Estou perguntando algo muito mais significativo do que tudo isso: “Você é santo ou não?”

Não estou perguntando se você aprova a santidade nos outros, se você gosta de ler sobre a vida de pessoas santas, de conversar sobre coisas santas, de ter livros santos em sua mesa, se você sabe o que significa ser santo ou se espera ser santo algum dia. Estou perguntando algo mais elevado: “Você mesmo é um santo ou não?”

E por que eu lhe pergunto com tanta seriedade, insistindo com tanto vigor? Faço isto porque a Bíblia diz: “Segui… a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. Está escrito, não é minha imaginação; está escrito, não é minha opinião pessoal; é a Palavra de Deus, e não a do homem: “Segui… a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Que palavras perscrutadoras e separadoras são estas! Que pensamentos surgem em meu coração, enquanto as escrevo! Olho para o mundo e vejo a maior parte das pessoas vivendo na impiedade. Olho para os cristãos professos e percebo que a maioria deles não têm nada do cristianismo, exceto o nome. Volto-me para a Bíblia e ouço o Espírito Santo: “Segui… a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Com certeza, este é um versículo que tem de fazer-nos considerar nossos próprios caminhos e sondar nossos corações; tem de suscitar em nosso íntimo pensamentos solenes e levar-nos à oração.

Você pode menosprezar estas minhas palavras, dizendo que tem muitos sentimentos e pensamentos sobre estas coisas, mais do que muitos podem imaginar. Entretanto, eu lhe respondo: “Isto não é mais importante. As pobres almas no inferno fazem muito mais do que isto. O mais importante não é o que você sente e pensa, e sim o que você faz”.

Você pode argumentar: “Deus nunca tencionou que todos os cristãos fossem santos e que a santidade, conforme a descrevemos, é apenas para os grandes santos e para pessoas de dons incomuns”. Eu respondo: “Não posso encontrar este argumento nas Escrituras; e leio que ‘a si mesmo se purifica todo o que nele [em Cristo] tem esta esperança’” (1 Jo 3.3). “Segui… a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Você pode argumentar que é impossível ser santo e, ao mesmo tempo, cumprir todos os nossos deveres nesta vida: “Isto não pode ser feito”. Eu respondo: “Você está enganado”. Isto pode ser feito. Tendo Cristo ao nosso lado, nada é impossível.
Outros já fizeram isto. Davi, Obadias, Daniel e os servos da casa de Nero, todos estes são exemplos que comprovam isto.

Você pode argumentar: “Se nos tornássemos santos, seríamos diferentes das outras pessoas”. Eu res- pondo: “Sei muito bem disso. Mas é exatamente isso que você deve ser. Os verdadeiros servos de Cristo sempre foram diferentes do mundo que os cercava — uma nação santa, um povo peculiar. E você tem de ser assim, se deseja ser salvo!”

Você pode argumentar que a este custo poucos serão salvos. Eu respondo: “Eu sei disso. É exatamente sobre isso que nos fala o Sermão do Monte. O Senhor Jesus disse, há muitos séculos atrás: “Estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela” (Mt 7.14). Poucos serão salvos, porque poucos se dedicarão ao trabalho de buscar a salvação. Os homens não renunciarão aos prazeres do pecado, nem aos seus próprios caminhos, por um momento sequer.

Você pode argumentar que estas são palavras severas demais; o caminho é muito estreito. Eu respondo: “Eu sei disso; o Sermão do Monte o disse”. O Senhor Jesus o afirmou há muitos séculos atrás. Ele sempre disse que os homens tinham de tomar a sua cruz diariamente e mostrarem-se dispostos a cortarem suas mãos e seus pés, se quisessem ser discípulos dEle. No cristianismo acontece o mesmo que ocorre em outros aspectos da vida: sem perdas, não há ganhos. Aquilo que não nos custa nada também não vale nada.

Você já nasceu de novo?

Segunda publicação da série, Aprendendo com J. C. Ryle.

Esta é uma das questões mais importantes do cristianismo. Jesus mesmo disse: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3).

Não é suficiente responder: “Eu pertenço a uma igreja cristã; portanto, suponho que já nasci de novo”. Milhões de cristãos nominais não manifestam nenhuma das características e sinais de serem pessoas nascidas de novo, os sinais e características que as Escrituras nos apresentam.

Você gostaria de conhecer as marcas distintivas e as características de alguém que nasceu de novo? Preste atenção; eu as mostrarei utilizando a Primeira Carta de João.

Primeiramente, João afirma:

“Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado… todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado” (1 Jo 3.9; 5.18).

Uma pessoa nascida de novo, ou seja, regenerada, não comete o pecado como um hábito. Não peca mais com seu coração, sua vontade e toda a sua inclinação natural, como o faz a pessoa não-regenerada. Havia um tempo em que ela não se preocupava com o fato de que suas atitudes eram pecaminosas ou não, um tempo em que não se entristecia após fazer o mal. Não havia qualquer luta entre ela e o pecado; eram amigos. Agora a pessoa nascida de novo odeia o pecado, foge dele, combate-o, considera-o sua maior praga, geme sob o fardo da presença dele em seu ser, lamenta quando cai diante da influência do pecado e deseja intensamente ser completamente liberta dele. Em resumo, o pecado não lhe causa mais satisfação, tampouco é algo para o que ela se mostra indiferente. O pecado tornou-se para a pessoa nascida de novo uma coisa abominável, que ela detesta. Ela não pode evitar a presença do pecado. Se disser que não tem pecado, não haverá verdade em suas palavras (1 Jo 1.8). Mas a pessoa regenerada pode afirmar com sinceridade que odeia o pecado e que o grande desejo de sua alma é não mais cometê-lo, de maneira alguma. O indivíduo regenerado sabe, conforme o disse Tiago, que “todos tropeçamos em muitas coisas” (Tg 3.2). Todavia, ele pode afirmar com sinceridade, diante de Deus, que tais coisas lhe causam tristeza e aflição diariamente e que toda a sua natureza não as aprova.

Apresentei-lhe esta característica da pessoa nascida de novo. O que o apóstolo João falou aplica-se à sua vida? Você já nasceu de novo?

Em segundo, João afirma:

“Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus” (1 Jo 5.1).

Uma pessoa nascida de novo, ou seja, regenerada, crê que Jesus Cristo é o único Salvador por intermédio de quem sua alma pode ser perdoada; crê que Ele é o ser divino que Deus, o Pai, designou para este propósito e que, além dele, não existe outro Salvador. Em si mesmo, o indivíduo regenerado não vê nada, exceto indignidade; mas em Cristo a pessoa nascida de novo contempla o fundamento para a mais plena confiança e, confiando nEle, ela crê que seus pecados foram todos perdoados. A pessoa regenerada crê que, por causa da obra e da morte de Cristo consumada na cruz, é considerada justa aos olhos de Deus e pode aguardar a morte e o juízo sem ficar alarmada. Ela pode ter suas dúvidas e temores. Às vezes, ela nos revelará seus sentimentos como alguém que não possui a verdadeira fé. Mas, perguntemos-lhe se suas esperanças de vida eterna estão fundamentadas em sua própria bondade, suas realizações, suas orações, seu ministério, sua igreja, observemos o que ela responderá. Pergunte-lhe se ela abandonará a Cristo e colocará sua confiança em qualquer outro caminho. Esse indivíduo responderá que, embora esteja realmente sentindo-se fraco e mau, ele não desistirá de Cristo, em troca de todo este mundo. Dirá que em Cristo encontra preciosidade e doçura para sua alma, uma preciosidade e doçura que não pode ser encontrada em nenhuma outra pessoa, e que, portanto, ele tem de se apegar a Cristo.

Apresentei-lhe esta característica da pessoa nascida de novo. O que o apóstolo João falou aplica-se à sua vida? Você já nasceu de novo?

Em terceiro, João afirma:

“Todo aquele que pratica a justiça é nascido dele” (1 Jo 2.29).

A pessoa nascida de novo, ou seja, regenerada, vive em santidade. Esforça-se para viver de acordo com a vontade de Deus, praticar aquilo que O agrada e evitar aquilo que Ele odeia. O objetivo e desejo da pessoa regenerada é amar a Deus, com todo o seu coração, alma, entendimento e força, e amar o seu próximo como a si mesmo. O regenerado deseja estar continuamente olhando para Jesus como seu exemplo, bem como seu Salvador, e demonstrar que é amigo dEle por praticar aquilo que Ele ordena. Sem dúvida, o indivíduo regenerado não é perfeito. Ele mesmo dirá isso, mais rápido do que qualquer outra pessoa. Ele geme sob o fardo da corrupção íntima que o aflige. A pessoa nascida de novo encontra em seu íntimo um princípio mau que constantemente luta contra a graça, procurando afastá-la de Deus. Mas o regenerado não concorda com este princípio, embora não possa evitar sua presença. Apesar de todas as suas falhas, a santidade é a inclinação e a propensão normal de seu ser — suas realizações, seus interesses e seus hábitos são santos. Apesar de todos os seus balanços e viradas, assim como um navio lutando contra um vento contrário, o curso geral de sua vida tem apenas uma direção — por Deus e para Deus. E, embora ele às vezes sinta-se tão abatido, a ponto de questionar se é realmente um cristão, ele sempre será capaz de afirmar, assim como John Newton: “Não sou o que deveria ser; não sou o que espero ser no mundo por vir, mas, apesar disso, não sou mais o que costumava ser e, pela graça de Deus, sou o que sou”.

Apresentei-lhe esta característica da pessoa nascida de novo. O que o apóstolo João falou aplica-se à sua vida? Você já nasceu de novo?

Em quarto, João afirma:

“Sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos” (1 Jo 3.14).

Uma pessoa nascida de novo, ou seja, regenerada, tem um amor especial por todos os discípulos de Cristo. Assim como seu Pai, que está no céu, o indivíduo regenerado ama todos os homens com um grande amor geral, mas possui um amor especial por aqueles que têm o mesmo entendimento dele. Assim como seu Senhor e Salvador, o regenerado ama os piores pecadores e pode até chorar por eles; mas ele tem um amor especial por aqueles que são crentes. A pessoa nascida de novo nunca se sente tão feliz quanto ao estar entre os santos e os excelentes da terra. Outros talvez valorizem a cultura, a esperteza, a riqueza ou a posição na sociedade em que vivem. O homem regenerado valoriza a graça de Deus. Aqueles que mais desfrutam da graça divina e mais se assemelham a Cristo, são estes os que o regenerado ama com mais intensidade. Ele percebe que tais pessoas, assim como ele, são membros da mesma família; sente que são soldados do mesmo exército, companheiros de jornada, viajando pelo mesmo caminho. O indivíduo regenerado entende tais pessoas, e elas o compreendem. O regenerado e tais pessoas talvez sejam diferentes em vá-rios aspectos — nacionalidade, posição social e bens. O que importa? Eles constituem o povo do Senhor Jesus Cristo. São filhos e filhas de Deus. Portanto, o regenerado não pode deixar de amá-los.

Apresentei-lhe esta característica da pessoa nascida de novo. O que o apóstolo João falou aplica-se à sua vida? Você já nasceu de novo?

Em quinto, João afirma:

“Todo o que é nascido de Deus vence o mundo” (1 Jo 5.4).

Uma pessoa nascida de novo, ou seja, regenerada, não torna a opinião do mundo seu padrão do que é certo ou errado. Ele não se preocupa em andar na direção contrária aos caminhos, opiniões e costumes do mundo. “O que os outros dirão?” não será uma questão importante para ele. O regenerado vence o amor ao mundo. Ele não encontra prazer nas coisas que muitos ao seu redor chamam de felicidade. A pessoa regenerada não pode alegrar-se nas alegrias das pessoas mundanas; tais alegrias a fatigam, ela as considera coisas vãs, inúteis e indignas de um ser mortal. O regenerado vence o temor do mundo. Ele se contenta em fazer muitas coisas desnecessárias no conceito de muitos que vivem ao seu redor. Estes zombam do regenerado, mas ele não se abala. As pessoas do mundo o ridicularizam, porém ele não desanima. A pessoa nascida de novo deseja muito receber louvor da parte de Deus e não dos homens. O regenerado receia ofender a Deus, mais do que ofender os homens. Ele já calculou o preço; a ofensa da parte dos homens é algo insignificante para o regenerado, não importando se ele será elogiado ou acusado. Ele não é mais um escravo da moda e dos costumes do mundo. Agradar o mundo é uma consideração secundária para o nascido de novo. Seu primeiro objetivo é agradar a Deus.

Apresentei-lhe esta característica da pessoa nascida de novo. O que o apóstolo falou aplica-se à sua vida? Você já nasceu de novo?

Em sexto, João afirma:

“O que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo” (1 Jo 5.18 – ARC).

Uma pessoa nascida de novo, ou seja, regenerada, é muito cuidadosa a respeito de sua própria alma. Ela se esforça não somente para manter-se limpa do pecado, mas também de tudo que possa induzi-la a praticá-lo. É cuidadosa a respeito de suas companhias. Sente que más conversações corrompem o coração e que é mais fácil apegarmo-nos ao mal do que ao bem. O nascido de novo é cuidadoso no que se refere ao uso de seu tempo; seu maior desejo é utilizá-lo com proveito. Também é cuidadoso a respeito das amizades que estabelece; para ele, não basta que as pessoas sejam bondosas, amáveis e moderadas. Tudo isto é muito bom, mas tais pessoas abençoarão a sua alma? O regenerado é cuidadoso a respeito de seu comportamento e hábitos cotidianos. Procura lembrar-se de que seu coração é enganoso, que o mundo está repleto de impiedade e que o diabo se esforça para prejudicá-lo. Portanto, a pessoa nascida de novo estará sempre em vigilância. Deseja viver como um soldado no campo do inimigo, estar continuamente vestido com sua armadura e preparada para as tentações. Descobre, por experiência própria, que sua alma está constantemente entre inimigos e estuda meios para ser uma pessoa de oração, vigilante e humilde.

Apresentei-lhe também esta característica da pessoa nascida de novo. O que o apóstolo falou aplica-se à sua vida? Você já nasceu de novo?

Estas são as seis grandes características de ser nascido de novo. Todos aqueles que leram até aqui devem considerá-las novamente com atenção e guardá-las em seu coração.

Sei que em muitas pessoas existe ampla diferença na profundidade e distinção dessas características. Em alguns essas características não podem ser facilmente distinguidas, visto que se manifestam com bastante fraqueza, imperfeição e obscuridade. Em outros, elas se evidenciam com tanto ímpeto, vivacidade, clareza e nitidez, que podem ser reconheci- das prontamente. Algumas dessas características são visíveis em certas pessoas; e outras características, mais visíveis em outras pessoas. Raramente acontece que todas essas características se manifestam na mesma pro- porção em uma única alma. É claro que concordamos com todos esses fatos.

No entanto, apesar de concordarmos com isso, aqui delineamos seis características de ser nascido de Deus. Um apóstolo inspirado escreveu uma carta geral à Igreja de Cristo, mostrando como é uma pessoa nascida de Deus: não vive na prática do pecado, crê que Jesus é o Cristo, pratica a justiça, ama seus irmãos, vence o mundo e conserva-se puro. Leitor, observe tudo isso.

Agora, o que diremos diante dessas coisas? O que elas dizem àqueles que advogam a doutrina de que regeneração consiste apenas na admissão aos privilégios exteriores da igreja? Posso chegar apenas a uma conclusão: somente são nascidas de novo as pessoas que manifestam essas seis marcas. Todos os homens e mulheres que não as possuem ainda não nasceram de novo. Declaro com ousadia que esta é a conclusão à qual o apóstolo desejava que chegássemos.

Leitor, você tem essas seis características? Você já nasceu de novo?

Santificação

Primeira publicação da série, Aprendendo com J. C. Ryle.

A santificação não consiste na casual realização de ações corretas. Antes, é a operação habitual de um novo princípio celestial que atua no íntimo, influenciando toda a conduta diária de uma pessoa, tanto nas grandes quanto nas pequenas coisas. A sua sede é o coração, e, tal como o coração físico, exerce influência regular sobre cada aspecto do caráter de uma pessoa. Não se assemelha a uma bomba de água que só fornece água quando alguém a aciona; mas parece-se mais com uma fonte perpétua, de onde a torrente jorra perene e espontaneamente, com naturalidade.

Herodes ouvia João Batista .de boa mente., ao mesmo tempo em que seu coração era inteiramente mau aos olhos de Deus (Mc 6.20). Por semelhante modo, há dezenas de pessoas hoje em dia que parecem ter ataques espasmódicos de .atos de bondade., conforme os poderíamos chamar, e que fazem muitas coisas boas sob a influência da enfermidade, da aflição de morte na família, das calamidades públicas ou de alguma súbita agonia da consciência. Contudo, o tempo todo qualquer pessoa inteligente poderá observar claramente que tais pessoas não se converteram e que elas nada conhecem acerca da .santificação.. Um verdadeiro santo, tal como Ezequias (2 Cr 31.21), age .de todo o coração. e poderá dizer, juntamente com o salmista: “Por meio dos teus preceitos consigo entendimento; por isso detesto todo caminho de falsidade” (Sl 119.104).

Desafio qualquer pessoa a ler cuidadosamente os escritos do apóstolo Paulo para neles encontrar grande número de claras orientações práticas, atinentes ao dever do cristão, em cada relacionamento da vida, e acerca de nossos hábitos diários, de nosso temperamento e de nossa conduta de uns para com os outros. Essas orientações foram registradas por inspiração divina, para orientação perpétua dos crentes professos.

Aquele que não dá atenção a essas normas talvez seja aceito como membro de uma igreja ou denominação evangélica, mas certamente não será aquele que a Bíblia chama de homem “santificado”.

O Cristão e o Trabalho

Escrevi esse post ouvindo Cansado, do Projeto Sola.

Após a conclusão do ensino médio, passei por uma das piores fases da minha vida. A minha rotina havia sido concluída e eu não tinha mais nada pra fazer durante os dias. Meu único pensamento era o de que eu deveria conseguir um trabalho urgente, porquê sejamos francos: ninguém respeita um homem que não trabalha. É simples assim. Tudo bem se um homem for burro, feio ou até um pouco desagradável, desde que trabalhe duro. Mas nada é pior que um cara que não trabalha.

Observe o desprezo do apóstolo Paulo pelo homem preguiçoso: "se alguém não quer trabalhar, também não coma" (2Ts 3.10). Em outras palavras, é como: "Deixe-o passar fome até ele começar a trabalhar". Isso porque o homem foi feito para trabalhar. Temos o dever de trabalhar. Os homens gostam de trabalhar, pois a vida de um homem é uma vida de trabalho. Isso é bom e agrada a Deus.

No livro de Provérbios, capítulo 6, temos várias exortações sobre uma vida de trabalho tendo como exemplo a formiga: "Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos e sê sábio" (v. 6). As formigas são diligentes e prudentes: diligentes por trabalharem muito sem coerção e prudentes por pouparem parte de toda a produção.

As formigas não são um povo forte; todavia no verão preparam a sua comida; Provérbios 30:25
O trabalho é tão central na vida de um homem, que além da adoração, o cristão irá trabalhar até mesmo no céu. Aprendemos isso na parábola das dez minas de Jesus. Também vemos isso na parábola dos talentos, escrita no livro de Mateus.

Foram dois anos de grande labuta procurando um emprego e com a situação econômica atual do país, estava cada vez mais complicado conseguir alguma coisa. Comecei então a trabalhar para mim mesmo vendendo café da manhã na rua. Foi um tempo complicado, mas tirei muita experiência positiva e aprendizado neste período. A mão de Deus está sempre guiando nossos passos se confiarmos de verdade nossos caminhos a Ele.

Com a venda dos lanches na rua, juntei dinheiro e entrei para a faculdade, e com a faculdade, consegui um estágio numa instituição de ensino profissionalizante, até que fui efetivado na mesma como professor.

O trabalho certo para você
Diferentemente das pessoas mundanas que medem o valor do emprego pelo dinheiro que pagam ou pelo prestígio que oferece, os cristão devem pensar de maneira diferente. Nossas preocupações devem ser:

  • Este trabalho glorifica a Deus?
  • Beneficia meu próximo?
  • Eu me considero chamado para este trabalho, ou pelo menos consigo fazê-lo bem e encontrar prazer nele?
  • Ele provê as necessidades materiais?
  • Ele me permite viver uma vida equilibrada e piedosa?

Quero apenas observar os dois primeiros tópicos por um instante, pois considero que sejam os mais importantes nesta lista:

Glorificar a Deus
O Senhor nos fez e nos redimiu para que pudéssemos carregar a sua imagem e servir à causa de sua glória. É pra este propósito que existimos. Já que o nosso trabalho é tão central para quem somos, devemos nos perguntar se ele está em conflito com este propósito. As atividades que exerço em meu trabalho me levam a comprometer os padrões verdadeiramente bíblicos de comportamento? Como por exemplo um trabalho de vendas que envolva algum tipo de enganação ou uma posição de gerência que exija abuso de funcionários. Uma boa maneira de descobrir isso, é se perguntando: "Eu me sentiria constrangido se meu pastor visitasse meu local de trabalho?"

Servir ao próximo
O cristão também deve ganhar a vida fazendo algo que beneficie o seu próximo de alguma forma. Ao mandamento do Antigo Testamento, Jesus acrescentou: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22.39). Ora, tendo em mente este verso, não vejo como os cristãos podem exercer alguma atividade em seu trabalho que não tenha um benefício real para outras pessoas.

Certamente como cristãos, podemos encontrar algo para fazer que beneficie outras pessoas e honre a Deus, mesmo que, no final, ganhemos um pouco menos. Jesus afirma de maneira direta: "Não podeis servir a Deus e às riquezas" (Mt 6.24).

Que Deus nos dê forças para trabalhar de maneira que Ele seja glorificado e que ao mesmo tempo possamos exercer nossa profissão para provê dignamente o necessário para nossas famílias.

Disclaimer: Algumas informações foram extraídas do livro 'Homens de Verdade, o chamado de Deus para a masculinidade' de Richard D. Phillips, da Editora Fiel.

06 outubro 2019, noite.

Das trevas à Luz

Nesta segunda-feira, às 6h da manhã levantei cedo para buscar ao Senhor em oração. Clamei com um espírito contrito e quebrantado, onde não me restaram mais lágrimas acumuladas. Roguei para que o Senhor me mostrasse a Sua glória, pois Sua Palavra é clara quando afirma que, ao buscarmos a Sua face, o acharemos. Na noite anterior havia concluído minha leitura de Efésios, e Deus me encheu de alegria em Suas verdades. Estava próximo ao horário do trabalho, então me contive em orar por apenas 1 hora.

Ao levantar-me de meus joelhos, recebi um vídeo do meu querido pai terreno dando o primeiro passo em direção ao meu Pai celestial. O Senhor o salvou. Deus o tirou das trevas para a Sua maravilhosa luz, fazendo-o reconhecer a sua natureza pecaminosa, e conhecendo que sem o Cristo ele nada pode fazer (ver João 15:5).

Novamente me pus de joelhos para agradecer ao Senhor. A conversão do meu pai foi, por muitos anos o principal motivo de minhas orações. Me afligia o fato de que eu conhecia as grandes verdades reveladas nas Escrituras, entretanto nunca havia evangelizado meu próprio pai. Confiei a minha causa ao Senhor e Ele foi providente quanto a isso.

Lembro-me de ver, quando criança, o meu pai caçoar dos cristãos, xingando-os com palavras torpes pelo simples fato de vê-los indo à igreja. Mas assim como Saulo, meu pai se deparou face a face com o Cordeiro de Deus e experimentou a Sua Graça irresistível.

E quem há de resistir quando o Senhor o chama? Certamente que ninguém.

Oh! Deus, Te louvo com todo meu ser,
Que esperança há para o homem que esteja
Longe dos teus caminhos eternos?

09 setembro 2019, noite.

"Não há santidade sem luta", J.C Ryle

Escrevi esse post ouvindo Olhando Pra Sua Cruz, do João Manô.

Novamente inspirado pelas resoluções do meu estimado Jonathan Edwards, decidi que no final de cada dia irei refletir sobre minhas ações e pensamentos, afim de glorificar mais a Deus e crescer espiritualmente.

Nos últimos dias meu coração tem andado inquieto sobre o assunto salvação. Em algum momento me vi angustiado sobre a doutrina da eleição, de maneira tal, que roguei ao Senhor que se eu ainda não houvesse sido salvo, que Ele em Sua misericórdia me salvasse. Em meio a pecados, tenho clamado ao Senhor de dia e de noite rogando pela Sua presença graciosa, pois Sua Luz ofusca toda a escuridão ao redor, dando-me força à combater o mau que me assola.

Percebi que havia um pouco vaidade nisso.Eliminei-a rapidamente. Após ter minha mente vários dias pairando sobre este assunto, concluí que viverei uma vida voltada para exaltar o meu Criador ainda que Ele me lance no mais profundo abismo. Ah! Que o Cristo seja glorificado em cada fôlego de cada criatura, ainda que não recebam nada em troca. Ele é digno de receber toda honra e todo louvor de Sua criação.

Mas em ti confiei, ó SENHOR, e proclamei: “Tu és o meu Deus!” Os meus dias estão em tuas mãos; (Salmos 31-14,15).
Tenho lutado em oração sobre a santidade. J.C Ryle escreve: “Não há santidade sem luta” – e de fato é verdade. “Não há santidade sem luta” – e se há luta, precisa haver força, e a minha força é o Senhor (Salmos 28:7). Lembro-me das palavras do nosso querido Tiago, dizendo: “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4:7).

Hoje observei um alto nível de ansiedade e estresse, que vem se transformando em ira e impaciência em meu próprio lar. Manterei o amor de Cristo acima dessas coisas e agirei como Cristo agiria. Colocarei minhas dores e problemas diante do Trono da Graça a noite, durante minhas orações noturnas.

Hoje dei continuidade aos meus estudos no livro de Efésios, e o Senhor abriu meus olhos quanto a santidade enquanto lia o final do capítulo 4 e todo capítulo 5.

Criei uma pequena lista de coisas que acredito ser o dever de todo cristão em sua rotina:

  • Manter diariamente os estudos das Escrituras. (Josué 1:8),
  • Orar todos os dias. (1 Tessalonicenses 5:17),
  • Fazer tudo para a glória de Deus. (1 Coríntios 10:31),
  • Ensinar à outros tudo o que foi lido e aprendido.

Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. (1 Timóteo 4:15)

05 setembro 2019, noite.

Ele alimentou dez mil órfãos com oração

Originalmente extraído de VoltemosAoEvangelho.com

George Müller construiu cinco grandes orfanatos e cuidou de 10.024 órfãos durante sua vida. Quando ele começou em 1834, havia acomodações para 3.600 órfãos em toda a Inglaterra, e o dobro de crianças com menos de oito anos estavam na prisão. Um dos grandes efeitos do ministério de Müller foi inspirar os outros para que, de acordo com o biógrafo A.T. Pierson, “cinquenta anos depois que Müller começou seu trabalho, pelo menos cem mil órfãos eram atendidos somente na Inglaterra” (George Müller de Bristol, 274).

Ele orou por milhões de dólares (na moeda atual) para os órfãos e nunca pediu dinheiro diretamente a ninguém. Ele nunca recebeu um salário nos últimos sessenta e oito anos de seu ministério, mas confiou em Deus para colocar no coração das pessoas que lhe enviassem o que ele precisava. Ele nunca pegou um empréstimo ou se endividou. E nem ele nem os órfãos passaram fome.

Ativo até o fim
Ele fez tudo isso enquanto pregava três vezes por semana de 1830 a 1898, pelo menos dez mil vezes. E quando completou setenta anos, ele realizou o sonho de um longo trabalho missionário pelos dezessete anos seguintes, até os 87 anos. Ele viajou para 42 países, pregando em média uma vez por dia e dirigindo-se a cerca de três milhões de pessoas.

Desde o final de suas viagens em 1892 (quando ele tinha 87 anos) até sua morte em março de 1898, ele pregou em sua igreja e trabalhou para a Scripture Knowledge Institution. Ele conduziu uma reunião de oração em sua igreja na noite de quarta-feira, 9 de março de 1898. No dia seguinte, uma xícara de chá foi levada até ele às sete da manhã, mas nenhuma resposta veio à batida na porta. Ele foi encontrado morto no chão ao lado de sua cama.

O funeral foi realizado na segunda-feira seguinte em Bristol, onde serviu por 66 anos. “Dezenas de milhares de pessoas reverentemente se posicionaram ao longo da rota da simples procissão; homens deixavam suas oficinas e escritórios, mulheres deixavam suas casas elegantes ou humildes cozinhas, todas procurando prestar um último sinal de respeito”. Mil crianças se reuniram para um culto na Orphan House No. 3. Eles haviam agora “pela segunda vez perdido um ‘pai’”. (George Müller de Bristol, 285-86).

Mary e Susannah
Müller havia se casado duas vezes: com Mary Groves quando ele tinha vinte e cinco anos e com Susannah Sangar quando ele tinha 66 anos. Mary lhe deu quatro filhos. Dois eram natimortos. Um filho, Elias, morreu quando tinha um ano de idade. A filha de Müller, Lydia, casou-se com James Wright, que o sucedeu como chefe da instituição. Mas Lydia morreu em 1890 aos 57 anos. Cinco anos depois, Müller perdeu sua segunda esposa, apenas três anos antes de morrer. E assim ele sobreviveu à sua família e foi deixado sozinho com seu Salvador, sua igreja e dois mil filhos.

Quando Müller recebeu o diagnóstico da febre reumática Mary, disse “meu coração está prestes a ser quebrado por causa da profundidade do meu afeto” (A Narrative of Some of the Lord’s Dealings with George Müller, 2:398). Aquele que viu Deus responder dez mil orações pelo apoio aos órfãos não recebeu o que pediu desta vez. Ou recebeu?

“Eu estava satisfeito”
Vinte minutos depois das quatro horas, no Dia do Senhor, 6 de fevereiro de 1870, Mary faleceu. “Caí de joelhos e agradeci a Deus por sua libertação e por tê-la levado para si e pedi ao Senhor que nos ajudasse e nos apoiasse” (A Narrative, 2: 400). Ele lembrou mais tarde como ele se fortaleceu durante essas horas com o Salmo 84. 11: “Porque o SENHOR Deus é sol e escudo; o SENHOR dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente”. E aqui nós podemos ver a chave para sua vida:

“Eu sou em mim mesmo um pobre pecador sem valor, mas fui salvo pelo sangue de Cristo; e eu não vivo no pecado; Eu ando em retidão diante de Deus. Portanto, se for realmente bom para mim, minha querida esposa será ressuscitada, ainda que esteja doente como está. Deus a restaurará novamente. Mas se ela não for restaurada, então não seria uma coisa boa para mim. E então meu coração está em repouso. Eu estou satisfeito com Deus. E tudo isso brota, como eu já disse antes, de aceitar a palavra de Deus, acreditando no que ele diz”. (A Narrative, 2: 745)

Aqui está o conjunto de convicções e experiências inabaláveis ​​que são a chave para a vida notável de Müller.
  • “Eu sou em mim mesmo um pobre pecador sem valor”.
  • “Eu fui salvo pelo sangue de Cristo.”
  • “Eu não vivo em pecado.”
  • “Deus é soberano sobre a vida e a morte. Se for bom para ela e para mim, ela será restaurada novamente. Se não for, ela não será”.
  • “Meu coração está em repouso”.
  • “Estou satisfeito com Deus”.
Tudo isso vem de tomar Deus em sua palavra. Ali você vê o ser mais íntimo de George Müller e a chave de sua vida – a palavra de Deus, revelando seu pecado, revelando seu Salvador, revelando a soberania de Deus, revelando a bondade de Deus, revelando a promessa de Deus, despertando sua fé, satisfazendo sua alma. “Eu estou satisfeito com Deus”.

Fé: Dom ou Graça?
Então, suas orações por Mary foram respondidas? Para entender como o próprio Müller responderia a essa pergunta, temos que ver a maneira como ele distinguiu o dom extraordinário da fé e a graça comum da fé. Ele insistia constantemente, quando as pessoas o colocavam em um pedestal, que ele não tinha o dom da fé só porque orava por suas próprias necessidades e pelas necessidades dos órfãos, e o dinheiro chegava de maneira notável.

A razão pela qual ele é tão inflexível sobre isso é que toda a sua vida – especialmente no modo como ele sustentou os órfãos pela fé e oração sem pedir dinheiro a ninguém além de Deus – foi conscientemente planejado para encorajar os cristãos em relação a que que Deus é realmente confiável para atender suas necessidades. Nunca entenderemos a paixão de Müller pelo ministério dos órfão se não vermos que o bem dos órfãos ficava em segundo lugar.

“As três principais razões para o estabelecimento de uma Casa dos Órfãos são: 1) Que Deus seja glorificado, caso ele tenha prazer em me fornecer os meios, em vista de que não é algo vão confiar nele; e assim a fé de seus filhos pode ser fortalecida. 2) O bem-estar espiritual de filhos sem pai e sem mãe. 3) Seu bem-estar temporal”. (A Narrative, 1: 103)

Essa foi a principal paixão e objetivo unificador do ministério de Müller: viver uma vida e liderar um ministério de forma a provar que Deus é real, que Deus é digno de confiança e que Deus responde à oração. Ele construiu orfanatos da maneira que ele fez para ajudar os cristãos a confiar em Deus. Ele repete isso de novo e de novo.

Tomando Deus em Sua Palavra
Agora vemos por que ele era tão inflexível em relação a que sua fé não era o dom da fé mencionado em 1Coríntios 12. 9, que somente algumas pessoas têm, mas era a graça da fé que todos os cristãos deveriam ter. Se os cristãos simplesmente disserem: “Müller está em uma classe exclusiva; ele tem o dom da fé”, então estamos todos fora dessa conexão e ele não pode mais ser um estímulo, prova e inspiração em relação a como devemos viver. Aqui está o que ele diz:

“A diferença entre o dom e a graça da fé parece-me isto. De acordo com o dom da fé, eu posso fazer alguma coisa, ou crer que uma coisa acontecerá, o não fazer, ou o não acreditar nessa coisa não seria pecado; já de acordo com a graça da fé, eu posso fazer alguma coisa, ou crer que uma coisa acontecerá, considerando que eu tenho a palavra de Deus como a base sobre a qual devo descansar, e, portanto, o não fazê-la, ou o não acreditar seria pecado.

Por exemplo, o dom da fé seria necessário, para acreditar que uma pessoa doente deveria ser restaurada novamente, embora não haja probabilidade humana: pois não há promessa para esse efeito; a graça da fé é necessária para acreditar que o Senhor me dará as necessidades da vida, se eu buscar primeiro o reino de Deus e Sua justiça: pois há uma promessa nesse sentido (Mateus 6.33). (A Narrativa, 1:65)

Müller não achou que tivesse algum fundamento bíblico para ter certeza de que Deus pouparia sua esposa Mary. Ele admite que algumas vezes em sua vida ele tivesse recebido “algo como o dom (não a graça) da fé para que incondicionalmente pudesse pedir e procurar uma resposta”, mas ele não tinha esse raro dom no caso de Mary (Uma Narrativa). 1:65). E então ele orou por sua cura condicionalmente – a saber, se isso fosse bom para eles e para a glória de Deus.

Mas mais profundamente ele orou para que eles estivessem satisfeitos em Deus, seja o que quer que Deus fizesse. E Deus respondeu a essa oração, ajudando Müller a crer no Salmo 84.11: “nenhum bem sonega”. Deus não reteve nada de bom para ele e ele ficou satisfeito com a vontade soberana de Deus. Tudo isso, diz ele, “brota. . . de aceitar a palavra de Deus, acreditando no que ele diz”. (A Narrative, 2: 745).

Oh, como ele ama
O objetivo da vida de George Müller era glorificar a Deus ajudando as pessoas a aceitarem a palavra de Deus. Para esse fim, ele saturou sua alma com a palavra de Deus. A certa altura, ele disse que havia lido a Bíblia de cinco a dez vezes mais do que qualquer outro livro. Seu objetivo era ver Deus em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado dos mortos para que ele pudesse manter a felicidade de sua alma em Deus. Por esta profunda satisfação em Deus, Müller foi libertado dos medos e luxúrias do mundo.

E nessa liberdade de amor, ele escolheu uma estratégia de ministério e estilo de vida que colocava em evidência a realidade, a confiabilidade e a beleza de Deus. Para usar suas próprias palavras, sua vida se tornou uma “prova visível da fidelidade imutável do Senhor” (A Narrative, 1: 105).

Müller foi sustentado nessa vida extraordinária por suas profundas convicções de que Deus é soberano sobre o coração humano e pode levá-lo aonde desejar em resposta à oração; que Deus é soberano sobre a vida e a morte; e que Deus é bom em sua soberania e não retém as coisa boas para com aqueles que andam em retidão. Ele se fortaleceu continuamente na etapa final da doença de sua esposa com as palavras de um hino:

“O melhor das bênçãos ele nos dará
Nada além do bem nos vai acontecer,
Seguros para a glória ele nos guiará
Oh, como ele ama”! (A Narrative, 2:399)

Você não vai tentar desta maneira?
Deixarei Müller ter a palavra final de exortação, pedindo que nos unamos a ele no caminho da fé alegre e radical:

“Meu querido leitor cristão, você não tentará dessa maneira? Você não vai conhecer por si mesmo. . . a preciosidade e a felicidade dessa forma de lançar todos os seus cuidados, encargos e necessidades sobre Deus? Este caminho está tão aberto para você quanto para mim. . . Cada um é convidado e ordenado a confiar no Senhor, a confiar nele com todo o seu coração, lançar seu fardo sobre ele e invocá-Lo no dia da angústia. Você não vai fazer isso, meu querido irmão em Cristo? Eu espero que você faça. Desejo que você prove a doçura desse estado da alma, no qual, embora cercado por dificuldades e necessidades, ainda possa estar em paz, porque sabe que o Deus vivo, seu Pai Celestial, cuida de você”. (A Narrativa, 1: 521).

Profissão: Missionário

Texto de Evandro Sudre

Trabalho puxado por aqui. Até 13 horas por dia pra planejar, redigir e botar projetos pra rodar. E pra quem pensa que a missão não é uma profissão, eis uma listinha elementar dos nossos afazeres:

TEMPO DEVOCIONAL. Porque no ritmo e da maneira como levamos a vida precisamos de tempo de qualidade com Deus, e bons missionários não abrem mão disso.

ESCREVER AULAS, WORKSHOPS E SERMÕES (porque baixar pronto da internet não faz a gente crescer intelectualmente).

CRIAR PROJETOS que sejam relevantes pra cidade e então formatar esse projeto pra apresentar às equipes de missionários e pra levantar recursos. (E pra mim é bom que além de bom o projeto seja bonito e excelente.)

GERENCIAR OS PROJETOS, com cronograma, lista de tarefas e coordenação de voluntários e também das equipes.

REDIGIR, REDIGIR e REDIGIR, porque enquanto a ideia fica presa na cabeça de um só, dificilmente ela ganha vida própria à ponto de caminhar sozinha.

REUNIÕES, REUNIÕES, REUNIÕES, porque é importante trabalhar em conjunto com outros ministérios e frentes missionários.

DESENHAR E DAR CARA PARA AS PLATAFORMAS de missões. O que significa ficar horas na frente do computador lidando com os vídeos, gravando trilhas, montando cartazes dos eventos além de ajudar outros ministérios missionários que sejam carentes de organização e identidade visual.

ORGANIZAR no mínimo 3 ações práticas por semana, e há bases onde essas ações sejam até 7 por semana (o que demanda que ao menos um missionário trabalhe em tempo integral pra organizar.)

CAPTAR RECURSOS, que muito estranhamente é o pesadelo de 9 entre 10 missionários. Digo estranhamente, porque a Bíblia diz que nossa vocação é nobre, que devemos receber de recursos para continuar servindo com dignidade.

ATENDER PESSOAS, pois os futuros missionários têm buscado o conselho de servidores mais experientes, e é cada vez mais comum dizerem que em suas igrejas eles nunca receberam nenhum tipo de informação sobre quais são os passos para quem quer viver integralmente pra obra de Deus.

CONSCIENTIZAR AS CONGREGAÇÕES que a missão não responde com números ideais. Na verdade, todo missionário é preocupado com resultados, mas não desanima com a falta deles. Na verdade, hoje em dia o número de pessoas que têm uma história trágica sobre suas passagens em igrejas é imensa, e isso dificulta - e muito - o trabalho missionário.

CONSCIENTIZAR A TODOS que o trabalho de base - mesmo o trabalho de escrever essa página - é vital pra missão se manter viva. Sei que muita gente espera que a gente simplesmente saia enfrentando risco de doenças e atentados pelo mundo, porque só na rua, a missão tem cara de missão.

O mundo precisa entender que somos pessoas com uma profissão digna, que levantamos cedo e que dias de folga são dias pouco comuns pra gente. Que a maioria de nós não fez voto de pobreza e que tudo que conquistamos é automaticamente patrimônio da missão... Muita gente provoca missionários que têm casa, carro, bens e equipamentos, como se tivessem tempo ou desejassem usar tudo isso a nosso bel-prazer... E se alguém o fizer, que seja advertido! Por isso é tão importante prestar contas.

NESTE MOMENTO, centenas de missionários estão trancados em seus quartinhos, mesas, quintais e escritórios conspirando em favor da missão, e olhando assim de relance, pode até parecer que estão fazendo pouco, mas estão fazendo muito, e o fruto disso tudo se resume em JUSTIÇA, TRANSFORMAÇÃO, REDENÇÃO e SALVAÇÃO (em vida).

Tire um tempo pra orar por missionários, e pense seriamente sobre enviar ajuda financeira também, muita gente pensa que não, mas 5 ou 10 reais por mês faz bastante diferença quando mais crentes assumem a sua parte no processo!

Jesus disse que volta logo... Não temos tempo a perder!

A corrupção no meio missionário é um assunto sério também. Por isso eu acho tão importante a prestação de contas. Nós missionários precisamos sim "mostrar" o que estamos fazendo, e quem oferta, tem SIM o direito de acompanhar.

Ao mesmo tempo, os missionários precisam entender que ser integral significa trabalhar como qualquer outro trabalhador formal. Cumprir horários, seguir as regras e saber explicar como seus projetos funcionam.

Talvez o termo correto não seja PROFISSIONALIZAR, mas sem dúvida é necessário ter compromisso, excelência e principalmente "ordem" em tudo que fazemos nas missões.

“Trabalhem com entusiasmo e não sejam preguiçosos. Sirvam o Senhor com o coração cheio de fervor. Que a esperança que vocês têm os mantenha alegres; aguentem com paciência os sofrimentos e orem sempre.”‭‭ - Romanos‬ ‭12:11-12‬ ‭

Ainda esqueci de citar o tempo que investimos na rua, e pra muito de nós, o tempo fazendo freelances pra complementar o sustento.

PROFISSÃO: Missionário

MOSTRAR realidades

PROMOVER justiça social

ALCANÇAR grupos de pessoas

FORMAR novos missionários

PLANTAR igrejas saudáveis

É um trabalho e tanto, e você pode nos ajudar a seguir nisso!